Projeção Internacional de Minas através dos eventos internacionais: Caso FINIT

Projeção Internacional de Minas através dos eventos internacionais: Caso FINIT

Por Marcello Vinícius de Oliveira

No último dia 03 de Novembro (2017) , a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), por intermédio do Projeto Internacionaliza BH e em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTES) , organizou o espaço “Conexão Minas Mundo” no âmbito da Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (FINIT).

A ação envolveu a participação de representações de dez países, criando-se um ambiente internacional propício para a cooperação e relações,  abrangendo ações de cunho comercial, sociocultural, com ênfase na transmissão de conhecimentos.

Como resultado, somente neste dia e  no espaço Conexão Minas Mundo, circularam mais de 3200 pessoas, com cerca de 350 empresas cadastradas para contatos.  Argentina, Canadá, China, França, Holanda, India, Israel, Portugal, Reino Unido, Uruguai – foram  os países presentes nesta 1a. edição do Conexão Minas Mundo – e os relatos dos contatos e negócios gerados são promissores.

Destaca-se no evento a implementação de duas propostas:   a primeira,  criar um cenário fértil de interação entre os públicos brasileiros  e internacionais. Procurou-se combinar um público já sensível e atuante nas relações internacionais, como: empreendedores, investidores, empresários, intercâmbistas de cunho profissional, entre outros; e também um público pré-sensibilizado: estudantes, visitantes e amantes de tecnologia e inovação, colocando-os em contato com um terceiro público: atores chave para se iniciar diálogos e negócios com os países representados, como: Câmaras de Comércio, Consulados, empresas internacionais e instituições.

A outra proposta  foi avançar de forma significativa no tema da “Cultura para Negócios” – essência do Projeto Internacionaliza BH, para que os contatos bilaterais vivenciados produzissem melhores diálogos e resultados.  Foram disponibilizados resumos informativos sobre diversos países (ver em internacionalizabh.com.br)

Considera-se neste caso, o caráter bilateral – em virtude dos contatos específicos e pontuais entre as duas partes.  No entanto,  o perfil almejado deste processo é o perfil multilateral, uma vez que se objetiva contribuir para criar uma sociedade mais cosmopolita, que dialogue e aprofunde relações com diversas comunidades internacionais.

A ação de realização de feiras internacionais é muito efetiva nos propósitos de sensibilização e geração de ambientes propícios para o aumento dos intercâmbios internacionais em variados âmbitos. Conforme estudo realizado por Flávio Goldman, Conselheiro do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, acerca das Exposições Universais, no qual podemos encontrar similaridades com as feiras de cunho internacional, ele já identificava nos eventos do tipo ainda no século XIX, a capacidade de influência da sociedade, conforme ele:

Desde sua primeira edição, realizada em Londres em 1851, as exposições universais tiveram como propósito educar e entreter as grandes massas, estimulando sua crença no progresso científico e tecnológico e na promessa de melhoria de condições de vida representada pelos avanços industriais (GOLDMAN, 2015, p.17)

Além disso, estas ações contribuíram não somente em caráter sociocultural, mas também na valorização do território e no estabelecimento de elos internacionais, contribuindo grandemente para a inserção internacional da região anfitriã (GOLDMAN, 2015). O fato de tornar este espaço conhecido, ou na expressão popular “coloca-lo no mapa”, cria um terreno propício para que os que estão de fora vejam as potencialidades e avanços que permeiam aquela região, fato que fica ainda mais evidente se o evento internacional for focado em uma temática ou setor econômico específico. Ainda nas palavras de Goldman (2015) acerca das exposições universais, com o qual estabelecemos o paralelo com as feiras internacionais:

Além do papel de vitrines do progresso e da modernidade, as exposições universais também ganharam importância como eventos de afirmação no plano internacional dos países e das cidades que as sediavam, contribuindo para promover sua imagem no exterior (GOLDMAN, 2015, p.18)

Fica evidente que a organização de ações deste tipo, principalmente quando são produzidas diretamente por órgãos governamentais, se constituem uma estratégia eficaz de inserção daquele território no cenário internacional. Esta estratégia nos remete a teoria de Joseph Nye, cientista político e teórico nas Relações Internacionais norte-americano, quando trabalha com o paradigma do Soft Power (poder brando); que em síntese, consiste na capacidade de Estados (países) de atingir suas pretensões e anseios, não usando a coerção por meio da força, seja ela militar ou econômica, mas sim através da capacidade de  criar ambientes de cooperação, seja por meio da sedução, atração e convencimento. Valendo-se da expressão de seus valores, de sua cultura e qualidades, em uma ação que o próprio Nye designa como ““winning hearts and minds” (NYE, 2004).

Utilizando, assim,  , a capacidade de educar e promover as temáticas junto as massas (dotando esta percepção de um caráter interno); a contribuição para a inserção internacional do território e valorização de sua imagem internacional, e por fim a capacidade de influência e cooptação explorando as próprias potencialidades, podemos estabelecer um paralelo com a FINIT e as ações desenvolvidas durante mesma. A FINIT  demonstrou a sua versatilidade ao congregar um enorme público, abrangendo que empresas, instituições, agentes internacionais, órgãos governamentais,  cidadãos comuns, , sendo a maior parte envolvida diretamente com o ambiente de tecnologia e inovação, mas também aqueles que envolvidos com o aspecto da internacionalização, como é o caso da ACMinas,, e também aqueles em busca de conhecimento, caso dos muitos estudantes visitantes. Todos tiveram a oportunidade de entrar em contato com  ambiente de inovação, tecnologia e empreendedorismo de Minas Gerais e Belo Horizonte e reforçar a imagem de um estado que apresenta um crescimento contínuo destas áreas, uma agenda em que o Governo e Instituições acreditam.

Dando ênfase na percepção destes fatores, e principalmente como são importantes as estratégias de Soft Power, valendo-se da licença para aplica-lo ao caso de Minas Gerais; encontramos na tese “Instituto de Cultura como Instrumento de Diplomacia”, do Ministro-Conselheiro na Embaixada Brasileira em Praga, Sr. Acir Pimenta Madeira Filho, um parecer interessante acerca da percepção do uso do Soft Power e com o qual concluiremos esta reflexão:

As instituições e estratégias de comunicação podem contribuir para reforçar o estoque de “poder brando” dos países, aumentando-lhes o prestígio e projetando-os junto aos parceiros internacionais. Esses instrumentos de poder simbólico – de certa forma relacionados com a noção gramsciana dos “aparelhos ideológicos do Estado” – têm a virtude de ampliar a influência política das nações, de atrair investimentos e turismo e de promover o comércio e a cooperação. Importante papel desempenham, também, setores como a moda, a cultura de massas e as inovações tecnológicas, que são capazes de produzir imagens representativas dos países no imaginário coletivo (MADEIRA FILHO, 2016, p. 32/33)

O acervo fotográfico deste evento significativo para a agenda internacional de Minas Gerais encontra-se aqui.

A todos que participaram, nosso especial agradecimento – que venham as próximas oportunidades!

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