Medicina High Tech em Uberlândia: um potencial pouco conhecido

Medicina High Tech em Uberlândia: um potencial pouco conhecido

Por Dilson Dalpiaz Dias*

A Medicina, assim como qualquer outra área do conhecimento, vem observando e vivenciando as transformações do mundo digital. A codificação do pensamento em BIT, definitivamente, estabeleceu uma linha divisória desafiadora.

Atualmente, já convivemos com alguns conceitos observáveis em nosso cotidiano, como a Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things – IoT), sistemas de suporte a decisão e inteligência artificial hospedados em supercomputadores nas nuvens. A velocidade da internet acaba com os limites de banda ao transporte de arquivos digitais, assim como a contínua redução do custo por MB/s e por hospedagem. Hospeda-se todo o arquivo de um hospital em servidores de diferentes continentes, com a sofisticação da anonimização de dados. Tais informações são a fonte de combustível para a computação cognitiva que já proporciona ao homem melhores diagnósticos em alguns cenários.

Esse fenômeno digital amplificou o conceito de globalização sob perspectivas interessantes. Antes dessa época, o conhecimento era concentrado, senão restrito, a grandes centros urbanos, endereços das grandes universidades e centros de pesquisa. Da mesma forma, esse conhecimento concentrado criava riquezas negociadas nos próprios “grandes centros”.  O mundo digital abriu, para centros menores, horizontes antes invisíveis a possibilidade se expor aos mercados sob a égide da World Wide Web.

Nesse cenário, a Medicina High-Tech encontra-se amplamente inserida. Esta Medicina, que antes dizíamos do futuro, agora, do presente, está pujantemente democratizada entre seus stakeholders, entre os quais o mundo digital se permeia.

Para tanto, o pleno desenvolvimento das melhores interfaces de tecnologia em Medicina, o ambiente é fundamental. Destaca-se como variável determinante, a multidisciplinaridade do conhecimento e sua adequada interlocução. O ambiente digital derrubou os monopólios da informação, assim como apresentou interlocutores globais. Neste contexto, Uberlândia apresenta particularidades interessantes favorecedoras desse ecossistema.

Na década de 1990, enquanto o Brasil vivia a limitação do Sistema Telebrás – público, caro e ineficiente – Uberlândia gozava da telecomunicação privada, com seus derivativos. Em 1996 era habitual o debate sobre banda larga, media-streaming, hospedagem de dados, segurança de redes, etc. Aqui se criaram experiências pioneiras e produtivas de telemedicina, expandidas para outros países, com consequente ampliação da massa crítica a ambientes globais. O gradiente de conteúdo definia a natureza das conexões, o direcionamento das informações e o tratamento dos dados.

Como esperado, a dinâmica digital do pensamento gerou outros ambientes interdependentes, especialmente na pesquisa, desde protocolos clínicos multicêntricos internacionais (auditados pelo Food and Drug Administration -FDA) a projetos de chips subcutâneos para análises laboratoriais. Em Uberlândia é possível citar pelo menos duas experiências colaborativas multicêntricas.

A primeira, trata-se de um projeto de telemedicina apoiado por suporte à decisão, hospedado nas nuvens (Amazon), implementado em alguns países, como México, Colômbia, Chile e Porto Rico, capaz de reduzir a mortalidade do Infarto em até 50%, encurtando o tempo para diagnóstico e tratamento, assim como aumentando a porcentagem de tratamento com custos menores. Este projeto atende a mais de 100 mil pacientes com suspeita de infarto por ano.

A segunda, aborda outro aspecto da aplicação da tecnologia. Integra vários conceitos do mundo digital, telemedicina, economia compartilhada, computação nas nuvens, “Ubermédico”, para criar modelo inédito de “gate-keeper digital” com “ value-based health care” . Com isso, empodera o médico generalista com suporte de especialistas à distância.  Esse modelo tem ajudado planos de saúde a reduzir a sinistralidade e concomitantemente, melhorar a resolutividade.

Outra importante inovação tecnológica pode ser observada na Implantodontia, com a criação do sistema Kea-Tech, um conjunto de técnicas e ferramentas desenvolvidas para planejar e confeccionar guias cirúrgicas restritivas, proporcionando a instalação de implantes dentários de maneira previsível, segura e minimamente invasiva.

O sistema está em fase de registro de patente e já busca investidores estrangeiros; destaque para as recentes negociações com o governo francês, as quais iniciaram com Alexandre Barral no evento Cities Uberlândia – Congresso Internacional de Tecnologia, Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade.

Barral é gerente de Novos Negócios na Business France (Câmara de Comércio Brasil x França) e foi um dos 50 palestrantes do Cities Uberlândia, que ocorreu nos dias 9 e 10 de agosto em Uberlândia e contou com a participação de cerca de quatro mil pessoas.

A Medicina, por sua vez, é uma parcela importante dentro do Ecossistema de Inovação, formado por várias empresas, desde startups até grandes corporações e, com certeza, Uberlândia ainda será um solo fértil para grandes destaques nos negócios e inovação.

_______________

*O autor é o atual Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico de Uberlândia e CEO na Dalpiaz Consultoria. Dilson também já atuou como Diretor de Promoção ao Investimento no Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI) (2011 – 2013) e Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Uberlândia (2004 – 2011).

No comments
Share:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *