Construção Civil em Minas Gerais

Construção Civil em Minas Gerais

Por Marcelo Monteiro de Miranda*

Grande geradora de empregos, renda e tributos, a indústria da construção civil no Brasil é muito relevante para a economia do País: segundo dados da CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção – representa hoje aproximadamente 6% do nosso PIB.

Para um País que ainda tem muito a construir, é através dela, por meio dos seus diversos segmentos (edificações, construção pesada, entre outros), que toda a infraestrutura necessária para o desenvolvimento dos outros setores da economia será realizada. Além de sua influência no crescimento do Brasil, a indústria da construção também é uma grande demandadora de produtos e serviços de outras indústrias.

O cenário não é diferente em Minas Gerais. Temos aqui uma indústria forte e importante para a economia do Estado, com empresas tradicionais e com muita competência em todos os ramos da construção, seja na base da indústria ou até mesmo em construtoras que são referência no Brasil e no mundo.

Com sua atividade intimamente atrelada ao desempenho da economia de uma forma geral, a construção civil vem sofrendo muito com o atual cenário econômico e político brasileiro.

Apesar de sua grande relevância, a indústria da construção ainda é considerada bastante tradicional no País, e precisa evoluir muito em seus índices de produtividade. De forma clara, temos um duplo atraso nos índices de produtividade da construção civil brasileira, tanto quando a comparamos com a indústria da construção em outros países, quanto na comparação com outros setores da nossa economia.

Segundo estudo do SindusCon-SP, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a produtividade da mão de obra no setor da construção civil do Brasil é a segunda menor taxa entre os 17 países estudados, e é aproximadamente 30% inferior à média das outras indústrias da economia.

Para um setor tão fundamental para a retomada do crescimento da economia brasileira, a questão da produtividade faz grande diferença. E a inovação é o fator que vem fazendo, e pode fazer cada vez mais, a diferença nesta indústria.

A inovação não é um modismo ou algo passageiro, e sim um instrumento que vem permitindo quebra de paradigmas e mudanças de status quo em diversas áreas, e que agora, nesse momento de cenário desafiador, mas de grandes oportunidades, bate à porta da construção civil brasileira.

E é importante que a inovação seja perseguida em todos os micro setores da construção civil; nas indústrias de base e de materiais; nas técnicas construtivas das construtoras; nos serviços prestados aos clientes, sejam eles financeiros, comerciais ou residenciais.

Para o setor residencial brasileiro, além dos desafios estruturais do setor, um grande desafio a ser vencido é o déficit habitacional: segundo dados da Fundação João Pinheiro, no Brasil possuímos uma escassez de aproximadamente 6 milhões de residências.

Por outro lado, a construção civil tem um grande impacto no meio ambiente. Cerca de 60% do total de resíduos sólidos produzidos nas cidades brasileiras têm origem na construção civil. Um dado alarmante.

Esse foi o desafio assumido pela Precon Engenharia – desenvolver uma solução tecnológica e inovadora para o déficit habitacional brasileiro, utilizando como premissa o DNA da empresa de industrialização da construção, e tendo a sustentabilidade como principal pilar. A partir daí surgiu a SHP – Solução Habitacional Precon.

A Precon Engenharia faz parte do tradicional Grupo Precon, com mais de 50 anos de atuação em Minas Gerais, e foi eleita no último ano a empresa mais sustentável do Brasil no setor de construção pelo Guia Exame de Sustentabilidade.

Após um longo período de pesquisa e desenvolvimento, no qual testou diversos sistemas e materiais, em 2010 a empresa implantou a SHP, tecnologia própria e inovadora para construção de habitações multifamiliares com estruturas pré-fabricadas de concreto.

Durante o desenvolvimento de sua tecnologia, a empresa utilizou como inspiração a indústria automobilística e os conceitos da engenharia de produção para chegar a um produto final de qualidade diferenciada e perceptível aos clientes, e que tivesse índices de produtividade bem superiores aos atuais da indústria da construção no Brasil.

Assim como nas montadoras de automóveis, com a SHP a Precon consegue utilizar os conceitos de “chassi” dos prédios, no qual as partes são produzidas industrialmente em fábrica, transportadas e montadas nos canteiros de obras, como um grande Lego; e de “kits de acabamento”, desenvolvidos por fornecedores localizados próximos a nossa planta fabril a partir do planejamento de produção interno da empresa.

Isso permite à Precon industrializar ao máximo todas as etapas do processo até o acabamento, fugindo da tradicional construção artesanal, e ainda ter produção em larga escala, padronizada e com qualidade superior.

Da mesma forma, também desenvolvemos processos e equipamentos para a montagem e ligação entre as partes no canteiro de obra, garantindo o melhor desempenho estrutural, térmico, acústico e de estanqueidade. Esses desenvolvimentos são a base para a patente da SHP – processo em andamento no INPI.

Com a tecnologia da SHP, desenvolvida devido ao know how de mais de 50 anos da empresa, a Precon Engenharia consegue entregar aos seus clientes um produto acima da média, com diferencias como piso laminado, elevador, janelas mais amplas, área de lazer e guarita 24h em todos os empreendimentos, pelo mesmo preço.

Ao trazer para a construção civil o conceito de montadora, a SHP rompe com as principais barreiras da industrialização da construção – padronização, escala e desempenho logístico, que envolve não só a montagem dos prédios, mas toda a cadeia, desde a aprovação e a preparação do terreno até o acabamento final do produto, e são pontos de grande relevância para o sucesso desta tecnologia.

Mas a inovação não para por aí. Desde a implementação da tecnologia, em 2010, a Precon Engenharia continua suas pesquisas e estudos, e busca desenvolver fornecedores e parceiros para melhorar ainda mais seus indicadores de desempenho. Esse processo de melhoria contínua é embasado na cultura de inovação da Precon. A cada ano temos conseguido importantes avanços, com aumento de produtividade e reduções de custos e de prazos em nossas operações.

Em parceria com a Finep, agência brasileira de inovação, a empresa obteve duas grandes injeções de capital que serviram de base para um segundo round de inovação, que está em andamento. O objetivo é desenvolver e aprimorar tecnologias e processos operacionais para levar aos clientes um produto ainda melhor, além de garantir a previsibilidade de custos e de prazos em nossas operações, o que mostra a forte disposição da Precon Engenharia em continuar inovando.

Com esse round de inovação, que também contempla investimentos próprios em P&D, a previsão é que a SHP aumente ainda mais sua eficiência, refletindo na redução de até 5% no custo, redução de 10% no prazo de montagem das lajes; e redução relevante na geração de resíduos.

Entre os resultados que já aparecem, é importante destacar: de 2014 a 2016 tivemos uma redução de 17,5% do custo unitário médio por apartamento; com relação ao prazo de execução das obras, em 2016 entregamos nossos empreendimentos com uma média de 5 meses de antecedência ao prazo previsto, o que gera surpresa e satisfação em nossos clientes e reforça nosso forte valor de tentar sempre encantar o cliente.

Essa ampla cultura de inovação permitiu à empresa continuar evoluindo sua SHP e trazer, ano a ano, melhoria nos índices de produtividade, qualidade e custo, se mantendo muito acima da média da construção. Um importante exemplo é que hoje a empresa faz a montagem de um prédio de 8 andares em 30 dias, com apenas 8 funcionários.

Para que essa transformação na Precon Engenharia fosse possível, foi necessária a implementação de uma cultura de inovação na empresa, com inspiração nas startups do Vale do Silício (EUA). Nesse modelo de gestão temos uma forte participação das equipes nos desenvolvimentos e aprimoramentos de tecnologias e inovações; a cultura de experimentação e testes rápidos; e uma estrutura mais horizontal e com comunicação fluente.

A exemplo das empresas de tecnologia, a Precon realiza anualmente sua semana de inovação, a Semana i9, na qual os colaboradores se organizam em grupos para desenvolver projetos de melhorias inovadoras que, se aprovados, serão colocados em prática logo em seguida.

Mas como reverter essa cultura e tecnologia em redução de impacto ambiental? Durante o desenvolvimento da SHP, várias decisões foram tomadas com o objetivo de reduzir o impacto ao meio ambiente, que é tão forte na indústria da construção, e conseguimos trazer vantagens significativas. Como importante exemplo, essa tecnologia permite gerar 85% menos resíduos que a construção civil tradicional. São inacreditáveis 6 toneladas a menos de resíduos por apartamento de 2 quartos construído que deixam de ser depositadas no ambiente.

Conceitos de economia circular também se aplicam fortemente a este modelo, onde a ideia é manter os materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor, reduzindo o descarte.

Menos resíduos gerados possibilitam que menos materiais precisem ser comprados por apartamento construído. Consequentemente, a empresa tem economia financeira e consegue reverter seus ganhos de custo/produtividade em benefícios para os clientes. Entre eles, 10% a mais de área útil no apartamento em relação à concorrência, pelo mesmo preço, e um sistema flexível no qual todas as paredes podem ser removidas ou modificadas, ao contrário da construção tradicional, onde as paredes têm função estrutural e não podem ser alteradas. Mais comodidade e segurança estrutural para o cliente da Precon.

E a tecnologia da SHP também possui vantagens a favor da qualidade de vida no trabalho para nossa equipe e para a inclusão social. Através de um projeto de ergonomia e divisão de atividades em sua unidade industrial, a Precon fez um trabalho de preparação para a contratação de mão de obra feminina da região vizinha a sua Fábrica, e hoje conta com mais de 30% de mulheres em sua linha de produção dos prédios. Mulheres estas que, em sua maioria, não tinham acesso ao mercado de trabalho na construção, mas devido à definição de funções em uma produção industrial ergonômica, tiveram acesso ao emprego formal. Além disso, por terem características de mais concentração e capricho em tarefas de detalhamento, a mão de obra feminina permitiu ainda um aumento do nível de produtividade e redução de erros na Fábrica.

Vemos então que as esferas ambiental, econômica e social da sustentabilidade precisam estar bem conectadas para que exista um propósito inovador a longo prazo. E isso só funciona na prática se a empresa tiver colaboradores alinhados com sua cultura e o propósito de transformar a indústria. Na Precon Engenharia esse alinhamento forte nos permite um excelente ambiente de trabalho, tendo a honra de ter sido eleita uma entre as “150 melhores empresas para trabalhar no Brasil” em 2016, pela Revista Você S.A, e a 4ª melhor empresa para trabalhar em Minas Gerais em 2017, pelo Great Place to Work.

A Precon já entregou quase 5 mil apartamentos com sua tecnologia SHP; tem hoje cerca de 2.500 imóveis em construção; e deve lançar cerca de 2 mil novos apartamentos durante o ano de 2017. O desafio é continuar crescendo sempre embasada em transformar a construção pela inovação e pela sustentabilidade, e com o nosso propósito de “gerar resultados, de forma sustentável, com as pessoas felizes”.

A transformação da produtividade da construção civil é vista hoje como uma necessidade, e vemos as principais empresas do setor preocupadas e se engajando no tema. Acreditamos muito que iniciativas inovadoras de tecnologias sustentáveis mostrarão o caminho de buscarmos um desenvolvimento com mais equilíbrio entre econômico-social-ambiental.

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*O autor é o CEO da Precon Engenharia, e liderou nos últimos 5 anos o desenvolvimento e implementação de um inovador sistema construtivo industrializado e sustentável que hoje é referência no mercado e o principal foco de crescimento da empresa. Eleito pela Forbes um dos 10 CEOs de destaque no Brasil com menos de 40 anos. Eleito Executivo do ano 2015 pela Revista Encontro.

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